A BE e os novos
ambientes virtuais de aprendizagem: Repensar o papel das bibliotecas escolares
Ao repensar os espaços
de aprendizagem, teremos também de repensar o papel das bibliotecas escolares.
Os novos ambientes
virtuais de aprendizagens e as comunidades de prática podem constituir novas
oportunidades para a Biblioteca Escolar.... mas também novas responsabilidades.
Quais são os
desafios...? As possibilidades...? As dificuldades?
O progresso tecnológico facilita a ação do homem, como produtor
e consumidor de informação, contribuindo para a emergência uma economia do
conhecimento em rede (Carvalho, 2007).
Atualmente já não nos imaginamos sem o acesso à Internet, o
desenvolvimento das tecnologias, a Web tem originado mudanças sociais e
culturais significativas, originando um novo padrão, um novo paradigma social e
fazendo emergir uma nova geração de nativos digitais que formam uma comunidade
virtual. No mundo em que vivemos onde a Internet impera, representa um
conhecimento de dimensão inacreditável e em crescimento exponencial, dá-se
destaque na partilha e produção de mais informação.
Carvalho (2007) refere que “é, pois, imperioso preparar as
gerações para esta nova forma de estar, onde todos são consumidores e
produtores e onde as capacidades de pesquisar e avaliar a qualidade da
informação são críticas”.
As mudanças sociais e culturais trazem repercussões no
contexto educativo, criando um modelo educacional de conhecimento e cultura
virtuais que não pode ser ignorado pelos agentes educativos, dado que acaba por
mudar a natureza do ensino e da aprendizagem, passando a uma abordagem
construtivista, mais centrada no aluno.
As “novas capacidades exigidas atualmente” são “pesquisar,
selecionar e citar; cooperar e colaborar presencialmente e online; e, ainda,
publicar e partilhar online”, a BE pode e deve ter um papel de destaque e este
papel deve ser repensado e reforçado de modo a tornar-se ainda mais ativo, deve
ensinar os alunos a movimentarem-se online, a procurar informação, a verificar
a sua qualidade e pertinência, a comunicá-la, a colaborar e a respeitar os
direitos de autor e evitar o plágio, segundo Carvalho (2007).
Segundo Albion e Maddux (2007), citados por Carvalho (2007),
“mais do que o acesso à informação, o desafio está, agora, sobretudo na
selecção de informação”, visto que “a publicação online não é necessariamente
sujeita a qualquer avaliação prévia da sua qualidade, como acontece,
normalmente, numa editora”. “Saber pesquisar e avaliar a qualidade da
informação” (Carvalho, 2007) são os “dois requisitos complementares de grande
importância”.
A BE poderá começar a
revelar as potencialidades de algumas ferramentas que podem constituir o PLE - Personal Learning Environement - de cada aluno, e que poderão funcionar como
repositório de pesquisas e de recursos encontrados online e como ponto de
produção e partilha de informação e mais conhecimento, formadas as competências
a este nível, é provável que teremos alunos aptos a conviver na “Galáxia
Internet” e a tirar proveito na construção de aprendizagens ao longo da vida e
na participação em comunidades virtuais de ensino/aprendizagem.
Os ambientes virtuais, a Web 2.0 apresentam-se aos nossos
alunos como um poderoso atrativo que deve ser aproveitado pela biblioteca
escolar no desenvolvimento de atividades de apoio ao currículo, pelas
fantásticas potencialidades que oferece. As pesquisas orientadas, as leituras
em diferentes suportes, a interatividade virtual com o acervo da biblioteca, o
acesso rápido à informação, a partilha, a cooperação são funcionalidades
permitidas pelo uso das tecnologias que podem ser um poderoso aliado na
abordagem educativa e na construção do conhecimento. “As oportunidades na rede
são inúmeras para professores e alunos desenvolverem uma aprendizagem
autêntica” (Carvalho, 2007, p. 28).
Os vários desafios impostos pela sociedade de
informação, os professores e mais concretamente ao professor bibliotecário
impõe-se, em primeiro lugar, a formação pessoal no âmbito das tecnologias,
assim como a abertura à sua utilização no trabalho dos conteúdos curriculares e
no apoio ao currículo. “A formação tem que incidir não só sobre a utilização da
tecnologia mas também sobre a sua integração pedagógica na sala de aula.”
(Carvalho, 2007, p. 27).
Referências:
Carvalho, A. (2007). Rentabilizar a Internet no Ensino
Básico e Secundário: dos Recursos e Ferramentas Online aos LMS. Sísifo.
Revista de Ciências da Educação, 03, pp. 25‑40.
Illera, J. L. R. (2007). Como as comunidades virtuais de
prática e de aprendizagem podem transformar a nossa concepção de educação. Sísifo.
Revista de Ciências da Educação, 03, pp. 117-124
Mota, J. (2009). Personal Learning Environments: Contributos
para uma discussão do conceito. Educação, Formação & Tecnologias,
vol.2 (2); pp. 5-21.